publicidade

Os Desafios do kartismo Profissional Brasileiro – Análise e Crítica das Políticas Atuais da CBA

Escrito por Vinícius Escarlate
Equipe V11 Kart

Olá pilotos, amantes do kartismo, e a todos que de alguma forma vivem ou dependem desse esporte!

Faz tempo que tenho vontade de escrever sobre esse tema, mas eu aguardei o início do ano, pois como todo brasileiro, sempre temos esperanças de um futuro melhor. E de fato, ano a ano, algumas ideias boas surgem. Mas a questão não é essa. Somos criativos, e boas ideias sempre vão aparecer. O problema está na base, na nossa cultura e na cultura de quem administra nosso esporte.

Esse ano, por exemplo, teremos algumas categorias no Brasileiro com desconto, ou até isenção de algumas despesas, valorizando o mérito de quem vence – conquista vagas nos mais importantes campeonatos regionais do país. Isso dá ânimo, e diminui a “exclusiva” dependência financeira para a sequência na carreira de tantos bons pilotos. Em 2017 teve a cobertura da SporTv, de oito categorias no Campeonato Brasileiro, um sucesso de audiência, comentários, visualizações e satisfação dos próprios pilotos, que têm argumento para vislumbrar uma chance de obter patrocínio esportivo.

Meu nome é Vinícius Escarlate, piloto e proprietário da V11 Kart, formado em Administração de Empresas e Pós-Graduação em Marketing de Serviços. Estou há 15 anos envolvido com o kartismo e luto para seu crescimento e do meu próprio negócio.

Aqui segue uma crítica direcionada a CBA e a seus “gestores”. Coloco alguns tópicos dos problemas, explico mais abaixo meu ponto de vista e no final, listo uma série de medidas que tornariam o esporte mais acessível, garantindo seu crescimento, a evolução dos pilotos, a geração de empregos e...... O que mais importa, não é verdade?

Em resumo, penso que os problemas são:

- 1 > A entidade não tem dono, mas sim um monte de “políticos”;

- 2 > Não há uma diretriz definida da CBA;

- 3 > Parece que ninguém lá entende de negócio;

- 4 > Não há foco no cliente;

- 5 > Nossa cultura não pensa em volume, mas em margem de lucro;

1 – Às vezes pensamos que se não tem dono, se é sem fins lucrativos é melhor.... mas saber que a CBA é vinculada ao Ministério dos Esportes, não arrepia? Eu preferiria que tivesse um dono do kartismo no Brasil, que quisesse crescer, que investisse, que pensasse antes de tomar qualquer decisão, pois pode falir, ou perder dinheiro, que apoiaria boas ideias, mesmo que elas não agradassem a todos, e fosse bem pago por isso quando eventualmente esse negócio desse lucro, a ter pessoas que têm por principal objetivo manter-se no poder, adiando decisões importantes, fazendo “média”, escolhendo as sedes do campeonato brasileiro por exemplo, por garantias de apoio político, troca de favores, dentre tantas outras ações ou omissões que temos que aceitar a cada gestão da CBA.

2 – Fomento do Esporte? Como, se é tudo um absurdo de caro??!! Parece que a CBA quer só mandar um piloto para a F1.... Legal pra caramba......vamos usar pneus mais caros (exemplo, Júnior de amarelo), vamos baixar as idades das categorias (fazendo os pilotos gastarem mais cedo, quando sobem por exemplo da Cadete para a Júnior Menor) – ação essa tomada de 2010 para 2011, vamos impedir que um antigo piloto Júnior Menor ande de Novatos (entenda, se um piloto parou andando de Júnior Menor porque ficou sem grana, ou porque era muito inexperiente, e quer ir pra Novatos para recomeçar, dane-se, ou anda de Júnior, ou para de correr!!) – ação tomada no novo regulamento de 2018!

Parece que a CBA direciona suas decisões para que um piloto chegue mais rápido a um nível melhor, aumentando suas chances de sucesso no automobilismo..... mas Pera lá....não precisa tirar daqueles que querem se divertir, praticar um esporte, competir, até as cuecas dos avôs, para que isso aconteça! Quantos seguem carreira?... o índice é baixíssimo... CBA, dê a opção... quer subir de categoria mais cedo, pois quer antecipar os passos da sua carreira, piloto potencial de F1? Então pode ir, mas não obrigue a todos por conta de tão poucos! Quer subir mais cedo para a Graduados, para andar com as feras, e de pneu amarelo? Então vá, mais não precisa deixar a Júnior de amarelo, pra andar dois anos nessa categoria com esse composto de pneus......se usar o vermelho e subir pra Graduado um ano antes, economiza pelo menos uns 10 jogos de pneu (R$ 7.500 – nada de mais não é?)

3 – Eu praticamente implorei à CBA para alterar a idade da Sênior A e B. Atualmente só anda de Sênior quem faz pelo menos 31 anos de idade nesse ano. Até por volta de 2010 podia competir de Sênior quem tinha 25. Não parece nada demais! Vamos lá então.... vou fazer uma pequena análise que a CBA já deveria ter feito, mas acho que nunca faz.

a - Acredito que 90% dos pilotos federados tenham idades entre 10 e 45 anos;

b - Ou seja, temos 35 idades diferentes;

c - de 25 a 30 anos, temos 6 idades! Ou seja, cerca de 17% dos potenciais pilotos;

d - normalmente, uma pessoa entre 25 e 30 anos está saindo da faculdade, talvez cursando, mas certamente deva estar trabalhando ou até formando família;

e - as opções de um piloto entre 25 e 30 anos: Novatos ou Graduados;

Agora, CBA, me ajude a entender, quem em sã consciência, que trabalha, irá disputar a Graduados ou a Novatos contra pilotos que a princípio, em sua maioria, apenas estuda e treina de kart? Como ser competitivo? Como comparar? Pra mim, tem um caminho óbvio.... não corre...espera ter 31 anos......então a CBA joga no lixo essa faixa etária, que contribuiria para trazer mais volume para o esporte.....Em qualquer empresa de verdade, o CEO seria demitido!

4 – Cliente do kartismo, quanto você já reclamou da estrutura, da organização, dos comissários desportivos, dos custos, dos incentivos? Ninguém ouve! Não é porque não ouvem, mas sim pois não sabem o que fazer com a informação.... nem procuram a informação certa...Esse ano por exemplo, na escolha da Granja como sede para o Brasileiro.....

Vou fazer um parênteses – o Felipe Giaffone tem todo o direito de quere sediar o Brasileiro, lutou por isso e conseguiu....mérito...recapeou a pista, está fazendo melhorias, ouve o cliente, tem bom atendimento....merece pelo que investiu...

Mas a CBA escolher a Granja....é apertada, insegura – não tem muitas áreas de escape....curvas cegas.....não tem sentido.

E, para entender o cliente, o mínimo que deveria acontecer é simplesmente > OUVIR O CLIENTE. Eu estou no esporte há 15 anos, tive a felicidade de comemorar títulos nacionais e regionais na minha equipe, e nunca fui consultado por uma pesquisa da CBA, seja para dar sugestões, seja para fazer qualquer tipo de análise, para questionar qual a opinião sobre uma determinada decisão....nada disso....os dirigentes da CBA são autoritários, e pensam que entendem acima de tudo. Falta humildade para reconhecer que há boas ideias, bons argumentos e bons caminhos para qualquer problema que o esporte possa enfrentar.

5 – É ótimo ser reconhecido pelo que fazemos. Cobrar um valor que nos dê condições de remunerar bem nossa equipe de trabalho, sobra para riscos e reinvestimentos, além de ter um bom retorno por isso. Mas chegar a essa condição deveria ser uma consequência de um bom trabalho, seria o resultado de um planejamento, mas não o princípio, o foco...... Tivemos nos últimos 3 anos uma inflação muito baixa, mas as taxas de inscrição sobem sem dó! A CBA deve ficar feliz, pois multiplicando o valor da inscrição pelos pilotos inscritos, dá um baita monte de dinheiro.

Por que dessa forma? Eu preferia ter o triplo de pilotos vezes metade da inscrição.... Mas pra que trabalhar tanto por isso? É mais fácil criar novas categorias, daí alguns pilotos correm em 2 ou 3 delas, e a CBA entende, assim, que o número de inscritos aumentou.

Vamos acordar..... Claro que para esse esporte de malucos, pilotos viciados no esporte, como também sou, que tem sede por competição, quando chega a hora do Brasileiro, por exemplo, não medem esforços para participar, e pagam o que a CBA cobra, quase sem reclamar, mas poderia ser bem melhor.

Resumindo tudo, na minha opinião a CBA não trabalha, ela organiza as inscrições e o evento, mas não trabalha pelo esporte. Embora sejam feitas ações positivas, falta gestão, visão de negócio, consistência nas decisões, foco no cliente, planejamento de longo prazo.... ou seja, profissionalismo!

Sugestões para a melhoria do esporte

1 – Idades das Categorias

A – Elevar a idade de saída de cada categoria, entre a Mirim e a Júnior (permitindo, caso algum piloto queira, antecipar a subida para a categoria posterior).

B – Novatos – permitir que um antigo piloto possa recomeçar sua carreira pela Novatos. É uma forma de resgatar pilotos parados.

C – Sênior – baixar a idade das categorias Sênior A e B para 25 anos, para introduzir essa faixa etária nas competições.

D – Shifter – permitir que um piloto mais novo possa participar, desde que comprovada sua competência em categorias anteriores. É um estágio antes do automobilismo, então para quem tiver condições e potencial, tem que ganhar tempo.

2 – Pneus

A – Junior – Pneus vermelhos, para baratear. Vamos parar com o argumento que o piloto tem que se acostumar com pneus melhores.... na F1 os pilotos usam dois compostos na mesma corrida. Tem que aprender é a se virar!

B – Monopólio – incentivar novas marcas, para acabar com o monopólio das fábricas.

C – Custo – pensar em alternativas de custo reduzido, até mesmo com redução de imposto para o setor do esporte.

3 – Motores

A - Marcas Nacionais – Incentivar a fabricação nacional, para obter redução de custos com peças importadas.

B - Desgaste – Pensar em alternativas, como redução do giro do motor, para prolongar a vida útil do motor.

C - Padrão – são muitas categorias, daí o volume por componente diminui, deixando-os mais caros.

4 – Custos

A - Limite - Regra para não aumentar mais que a inflação.

B - Patrocínio – Além da ampla rede de contatos que o próprio kartismo possui, com tantos empresários, seria totalmente viável um projeto para arcar com parte das inscrições dos pilotos.

C – Projeto Incentivado – Será que a CBA, estando próxima dos órgãos do Governo, não teria condições de ter um projeto incentivado, no Ministério dos Esportes, para abatimento de IR?

5 – Investimento em Comunicação

A – Compra de Mídia – TV / Internet

B – Venda de Espaços nas Mídias

C – Divulgação do Esporte

6 – Gestão

A – Criação de Índices de Desempenho – para avaliar gestões, eventos, incidentes de pista

B – Canais de Relacionamento com Clientes

C – Planejamento Estratégico

D – Trabalhar, arregaçar as mangas!

“Eu sou apaixonado por esse esporte. Gostaria de poder trabalhar apenas no kartismo, mas não confio nas entidades que cuidam desse esporte para nós. Tenho certeza que se algo fosse feito, teríamos muitos pilotos mais na pista, gerando emprego. É o grid cheio de talentos que desenvolve futuros pilotos, tornando mais difícil cada vitória, e não apenas motores e pneus mais rápidos. Enquanto isso vamos todos lutando, tentando incentivar a cada novo aluno, a cada novo cliente.... um trabalho de formiguinha. Espero que esse texto seja lido por quem possa realmente fazer algo pelo esporte, ou brigue para que isso aconteça”.

Abraços!!!