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Vamos falar do brasileiro?

Escrito por Vinícius Escarlate
Equipe V11 Kart

Esse Campeonato Brasileiro teve campeões merecedores, seja pela rapidez, pela consistência, pela recuperação, daqueles que não fizeram besteira, ou até pela boa defesa da posição...... O fato é que tivemos disputas muito boas, e a pista exigiu muito do acerto das equipes.

Estive nesse Brasileiro como piloto e como chefe de equipe. Como piloto, na F4 Graduados, iniciei bem.... Treinei apenas na quarta-feira e fui 4º logo no meu segundo treino. O problema é que o Marcus Borges, o Kinho, colocava meio segundo no segundo e eram realmente impressionantes a sua consistência e velocidade. Aí não me restava outra opção, para ganhar só no braço não dava, o kart não poderia estar bom, tinha que estar perfeito. Eu precisava tentar achar o acerto ideal do kart e fui tentando mudá-lo a cada treino. No fim, me envolvi em algumas confusões e fiquei lá para trás!! Em resumo, parabéns ao Kinho, tetra!!

Como chefe de equipe, considero que fizemos um bom trabalho. Na Júnior Menor largamos em sexto na final, com o piloto Gabriel Fonseca vindo de uma Pré-final com muitas ultrapassagens, largando de 14º. O kart estava muito bom, mas logo na largada, um pouco confusa, como vimos em várias categorias, já caímos pra 15º. E é difícil recuperar quando se está tão equilibrado.

Na segunda fase tínhamos um Novato, o piloto Gabriel Lopes, rápido, bem rápido. Ele liderou um dos treinos, largou em segundo e esteve muito perto do título. Na Pré-final estava em segundo até a última volta, quando na tentativa de ultrapassagem sobre o primeiro houve uma disputa intensa e os dois acabaram batendo. O Gabriel ainda rodou e finalizou em 15º e parecia que a chance tinha ido embora. No warm up do sábado colocamos o piloto atrás de um pelotão grande e ele conseguiu ultrapassar seis concorrentes. Conseguimos trazer de volta a confiança de que o Gabriel precisava. E, com um início surpreendente, em três voltas ele já era quarto na Final, mas infelizmente na tentativa de superar o terceiro colocado, acabou tirando o piloto da corrida, sem intenção, mas com muita vontade de buscar o líder. Final é Final!!

Sempre temos muitos “e se”. Ou mesmo os “quase” de muita gente, mas tudo isso faz parte, afinal é a maior disputa nacional, onde todos os competidores vão em busca do título. No caso da nossa equipe, o que ocorreu é mais comum, pena para outros pilotos que ainda precisam contar com a “sorte” de ter os Comissários como obstáculos na pista. Não bastam os outros concorrentes, o investimento e todas as frustrações, temos que contar com a sorte dos Comissários estarem olhando, e mesmo se estiverem olhando, se enxergam realmente o que está ocorrendo.

Teve o caso do Marcel Coletta, que andou muito nas duas fases, e foi punido nas duas, na mesma curva. Na segunda fase essa punição foi muito questionada. Eu assisti a corrida e todos os que estavam ao meu lado discordaram da decisão dos Comissários. Mas pior, na minha opinião, foi o caso do piloto Breno Lima (MG), que competiu na categoria F4 Sênior. Na Pré-final ele vinha muito bem e ultrapassou um concorrente. Este acabou perdendo o ponto de freada, e deu uma passeada na terra. Não contente com seu resultado, esse piloto, que foi ultrapassado, alegou ter levado um toque do Breno, que acabou punido, perdendo várias posições e minimizando muito a sua chance de título. Ele largaria em 3º, mas amargou uma 11ª colocação. Depois, o Breno procurou e achou um vídeo e eu mesmo vi esse vídeo. O Breno nem ao menos encostou no outro piloto, e foi punido em primeiro lugar pela vaidade desse concorrente e depois pela falta de bom senso dos Comissários, que ao verem o vídeo alegaram que já tinha passado a meia hora de prazo de reclamação. Desculpe, meia hora de prazo? Tomara que o Breno Lima volte para um nacional, pois ele ainda foi bem e chegou no pódio, mas poderia ter ganho o campeonato.

Será que está certa essa metodologia de análise dos incidentes? Será que não dão muito poder para poucos tomarem essas decisões? Para mim tem muita coisa errada, então penso apenas em algumas sugestões:
- tem que haver pilotos ativos junto aos comissários, sempre mais de um, pra ser mais imparcial;
- precisa ter câmeras da organização, disponíveis para o uso dos pilotos;
- o prazo de reclamação precisa ser flexibilizado, e deve haver bom senso.

Mas, principalmente, estes contratados da CBA precisam entender que os pilotos são clientes, não só deles, mas de equipes, preparadores de motor, lojistas, fabricantes e diversos prestadores de serviço. Eles devem mais respeito a todos, não tendo que erguer o nariz, assumindo um poder que sua função traz. Enfim, não são exemplo e tiram diversos competidores do esporte.

Um abraço a todos, e voltemos aos regionais!!