Aos 18 anos de idade, o piloto mineiro Clemente Faria Jr. (Oi / Banco Rural / Barbosa Mello / RM Sistemas) já colocou seu nome na história do kartismo nacional. Clemente venceu o Campeonato Brasileiro de Kart, o mais importante da modalidade no país, em quatro anos consecutivos, um recorde em quase 40 anos de torneio. Tamanho sucesso acabou alçando a revelação mineira direto do kart para a Fórmula 3 Sul-Americana, a mais rápida categoria do automobilismo continental, em um vôo sem escalas. Clemente estreou na categoria na última etapa do Campeonato em 2005, no circuito de Interlagos (SP), surpreendendo a todos ao conseguir um quarto lugar no grid de largada, superando diversos pilotos mais experientes com os bólidos da Fórmula 3. Aquela experiência acabou sendo decisiva para que o piloto deixasse definitivamente o kart e encarasse o desafio de competir na Fórmula 3 em 2006. Este desafio começa já no próximo final de semana, com a realização da primeira rodada dupla da temporada, no Autódromo Internacional de Curitiba, no Paraná. A corrida de abertura da temporada será disputada no sábado (25/3), enquanto no domingo os pilotos voltam à pista para a disputa da segunda etapa.
O piloto de Belo Horizonte vai competir pela equipe Cesário Fórmula, atual campeã da categoria e uma das equipes mais tradicionais do automobilismo brasileiro. “A Cesário é uma equipe fantástica. Me sinto em casa correndo com eles”, afirma Clemente, que faz parte de uma geração que chega à Fórmula 3 em um ano de renovação no grid da categoria. Além de Clemente, dois outros pilotos chegam à categoria vindos diretamente do kart em 2006, os paulistas Eduardo Leite e Pedro Nunes. Bia Figueiredo, companheira de Clemente na Cesário Fórmula, e Nelson Merlo, ambos vindos da Fórmula Renault, são outros estreantes de grande destaque na temporada. “Vai ser um ano fantástico na Fórmula 3 Sul-Americana”, anima-se Faria Jr. “Tem muita gente boa estreando, além dos ótimos pilotos que já correram pelo menos um ano inteiro”, salienta a jovem promessa mineira.
Consciente do alto nível técnico que deve encontrar pela frente, Clemente sabe também que terá que trabalhar muito nos bastidores em 2006. Vítima de um problema comum à maioria dos pilotos brasileiros, o belo-horizontino ainda não tem patrocínio confirmado para toda a temporada. “Patrocínio é sempre um problema muito grande para o esporte, mas isso não me desanima. Vou seguir trabalhando e me dedicando, como sempre fiz”, admite. “Tenho que lutar para fazer um bom começo de temporada. Isso ajuda não só a motivar os patrocinadores, como pode atrair novos interessados”, afirma, com confiança, Clemente Faria Jr.